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16/08/2017 16:53:04 (#568) - Qual GPS comprar para simples marcação de pontos e cálculo de áreas

Há algum tempo fiz uma postagem sobre Qual GPS comprar para uso em caminhada, trekking, montanhismo etc. e, seguindo o mesmo formato, agora tentarei responder uma outra dúvida que recebo muito pelo meu site e nos meus cursos de GPS: Qual modelo de GPS recomendável para quem precisa de um aparelho simples, resistente, compacto, funcional e, principalmente, barato, para simples mapeamentos (marcação de pontos ou percursos) e cálculo de áreas (seja no aparelho ou posteriormente no PC com dados obtidos por ele), ou seja, um dos usos profissionais mais comuns para esse tipo de aparelho.

A primeira coisa que vale a pena ressaltar, antes de tudo, é que nenhum GPS portátil consegue a mesma precisão de mapeamento, seja para definir um simples ponto quanto para um cálculo de área, que a obtida por um topógrafo com suas estações, medições e cálculos. TODOS os GPS portáteis tem uma precisão menor e devem ser usados quando não se precisa de uma grande precisão em suas medidas/marcações. Para grandes precisões são necessários aparelhos GPS realmente profissionais e, nesse caso, eu não os conheço (mas sei que custam milhares de dólares e pesam diversos kg).

Sabendo disso, para um uso profissional, em campo, onde se deseja marcar pontos (os chamados waypoints), onde cada um terá seu nome e sua coordenada únicos (latitude/longitude/altitude) e, para medição de áreas, seja a partir de uma sequência de pontos ou a partir de um trajeto (track) percorrido, normalmente é esperado do aparelho:
- compacto (pequeno e leve);
- boa duração de bateria (e uso de bateria substituível);
- boa recepção de sinal dos satélites (para uso em locais com menos visibilidade do céu, seja em mata ou uso urbano);
- boa capacidade de armazenamento de waypoints/tracks (pontos/trilhas);
- à prova d´água, poeira, resistente;
- fácil e prático de usar;
- um bom custo benefício.

E, antes de falar sobre um modelo que satisfaz todos esses requisitos, vale lembrar que, para tal uso, normalmente o GPS NÃO PRECISA:
- memória para mapas de fundo (afinal, você estará fazendo o mapeamento);
- tela colorida (para uso simples a tela preto e branca é suficiente e isso reduz o custo do aparelho);
- bússola eletrônica (o aparelho não será usado para navegação);
- altímetro barométrico (apesar desse tipo de altímetro dar uma melhor precisão, normalmente não é necessário - mais a frente comento sobre modelo que também tem essa função).

Tendo isso em vista, um dos modelos mais básicos (se não o mais básico), da Garmin, o eTrex 10, terá tudo que você precisa e por um preço mais que acessível.

O eTrex 10, versão atual mais moderna e com mais recursos que o antigo eTrex "amarelinho", é um GPS simples, com tela preta e branca, funcionamento com duas baterias AA (pilha comum ou recarregável), leve, compacto, resistente e com memória para 1000 waypoints (pontos) e 100 tracks (trajetos) com 10000 pontos cada. Tudo isso por um ótimo custo e com um receptor GPS com a mesma sensibilidade que modelos mais avançados.

Além disso, diferente do antigo eTrex "amarelinho", o eTrex 10 incorporou uma função que só era encontrada nos aparelhos mais completos (e caros): a possibilidade de cálculo de área, no próprio GPS, a partir de um perímetro percorrido com o aparelho, uma função que é muito desejada e usada por quem faz esse tipo de trabalho (essa, e muitas outras funções, explico no meu Vídeo Cursos GPS).

E, assim como os outros aparelhos, ele também pode ser conectado via USB ao computador para que os dados coletados (waypoints e tracks) possam ser baixados e, posteriormente, usados em softwares de mapeamento GIS, sobrepostos em cartas topográficas, visualizados no Google Earth etc.

Esse tipo de uso, mais avançado, é uma das muitas coisas que eu ensino nos meus cursos de GPS. Atualmente existe até uma versão em vídeo curso, assim a pessoa pode acessar (e aprender) de onde estiver, dê uma olhada no que é abordado.

Mas, voltando ao tema, e concluindo a postagem, hoje, 16 de agosto de 2017, se eu fosse comprar um novo GPS para uso em mapeamento e sem ter que investir muito, sem dúvida seria um eTrex 10. Agora, caso você queira também a possibilidade de ter mapas de fundo no aparelho, seja um mapa de ruas ou um mapa topográfico, ai você pode optar pelo eTrex 20x. Se você ainda precisar de altímetro barométrico, ai será necessário a versão top de linha da série, o eTrex 30x. Operacionalmente, são basicamente todos iguais. Neste link um comparativo dos modelos eTrex (no site da Garmin).

Então, fechando a conversa, se você quer um GPS Garmin (nem cogito em outra marca ou app para celular) para simples marcação de pontos e tracks, pode ir sem medo no eTrex 10.

Alguns locais com bom preço (e confiáveis) onde você encontra o eTrex 10 (ou outros modelos):
- ePortateis
- Americanas
- Submarino
- Ricardo Eletro
- Extra
- Wallmart
- Casas Bahia

E, se quiser realmente aprender a explorar o potencial que um aparelho GPS te proporciona, dê uma olhada no meu Vídeo Curso GPS: Operação, tratamento de dados e planejamento de roteiros. Garanto que ensino mais coisa do que você imaginava ser possível com um simples aparelho GPS em mãos e um computador ;-)

Espero que essa dica seja útil. Não esqueça de dar uma curtida na postagem, compartilhar com seus amigos que possam estar precisando desse tipo de informação e, se tiver dúvidas, deixe aí embaixo nos comentários que tentarei respondê-las.


Vídeo Curso GPS: Operação, tratamento de dados e planejamento de roteiros

Enviado por Tacio Philip às 16:53:04 de 16/08/2017



15/08/2017 15:33:15 (#567) - Pedal 100 milhas Itu-Piracicaba-Itu (163 km)

Desde o ano passado, ainda no verão, o Alessandro (parceiro semanal de pedal) e eu comentávamos sobre, assim que o clima ficasse mais favorável com tardes com temperatura inferior a 50ºC, em fazer um pedal que desse mais de 100 milhas (160,9 km), já que seu "record" havia sido um pedal de 150 km e o meu um de 144 km (quando fui de Capivari para São Paulo pedalando).

O tempo foi passando, o clima melhorando (leia-se refrescando) e, há pouco mais de 1 semana, falei com o Ale sobre já acertarmos esse pedal, antes que o termômetro voltasse a subir e logo isso foi marcado para a 2ª feira, dia 14/08/2017.

Com o psicológico preparado (e acho que com os músculos também), na 2ª feira acordei cedo em Capivari, segui de carro até Itu e, de lá, às 8h07 iniciamos nosso longo dia de pedal. No início passamos pelo centro de Itu (para cortar um pouco de caminho e fugir das subidas do anel viário) e logo chegamos na estrada, seguindo então exatamente por onde eu havia acabado de passar de carro, passando pelos trevos para Salto, Elias Fausto, Capivari e, de lá, seguindo a "estrada da cana" passando pelos trevos de Mombuca, Rio das Pedras e, finalmente, chegando em Piracicaba, cruzamos a saída para a avenida Luiz de Queiroz e seguimos, ainda por uns 7 km, até o final do recém aberto anel viário, onde completamos pouco mais de 81 km (e era só a metade do caminho).

Tanto na ida quanto na volta fizemos apenas uma pausa mais longa para lanche (leia-se uns 5 minutos) logo depois de completar a metade do caminho (a cada 1 hora eu comia algo sem parar de pedalar), algumas pausas em SAUs para pegar água (no total 4, onde eu preparava meu "clightorade" = suco ou chá clight + sachê de sal), uma pausa chata para desenroscar a corrente da bike que tinha entrado dentro da corôa e fomos voltando pelo mesmo caminho, só vendo os quilômetros aumentando no ciclocomputer/GPS ao mesmo tempo que a energia ia diminuindo.

Até cerca de 120 km o pedal, pode-se dizer, foi "tranquilo". Depois disso, o corpo foi estragando exponencialmente e nem os sachês de carboidrato em gel davam muita conta de animar para os muitos km que ainda faltavam (teve trechos que provavelmente passaríamos a 30 km/h que seguíamos a 15 km/h).

O tempo foi passando, o corpo cada vez doendo mais ("só" doía do pescoço para baixo - bike speed não é nada confortável, principalmente depois de 6 horas pedalando) e fomos voltando. A essa hora a contagem de quilômetros não era mais de quanto tínhamos pedalado, mas de quanto faltava para terminar.


Imagem do Google Earth e tela do GPS com o trecho e dados do pedal

Perto das 16 h, quase 8 horas depois de termos saído, chegamos de volta à casa do Alessandro. Ainda não sei se o pior era o cansaço das pernas por causa do pedal ou a dor por causa da posição pouco confortável na bike (principalmente no pescoço e ombros). De qualquer maneira, depois de 7h17 de pedal, tínhamos completado nossas 100 milhas com uma pequena margem de segurança (foram 163 km pedalados).

Eu, que ainda tinha que voltar para São Paulo, deixei para voltar só à noite (e fugir do trânsito) então fomos comer um belo lanche (aqueles que entopem suas veias só de olhar - mas não tinha problema, havia bastante ácido lático no sangue para desobstruir) e, agora, com esse novo empurrão na zona de conforto para um pouco mais longe, só falta encarar novas "roubadas". Ainda não tem data certa, mas já comentamos que o próximo objetivo terá que ser um pedal de 180 km, a distância pedalada nos IronMan (mas assumo que preciso de uns dias para recuperar o corpo e mais umas semanas para recuperar a cabeça) ;-)


Há menos de 1 mês foi a vez do carro completar 100 mil milhas

Enviado por Tacio Philip às 15:33:15 de 15/08/2017



15/08/2017 12:09:14 (#566) - Material para marcenaria: onde comprar e onde nem passar na porta em Bragança Paulista

Quem me conhece sabe que sigo o estilo 3R: Reuse, Reaproveite, Recicle e, como parte disso, diversos móveis da minha casa em Bragança Paulista estão sendo construídos por mim mesmo (e pela Lorena) com materiais reaproveitados (placas de madeira, compensado, mdf, palets, bobinas, vidros etc. etc. etc.).

Entretanto, alguns itens precisam ser comprados (nem tudo se acha ou se ganha e algumas coisas acabam quebrando ou sendo mesmo descartáveis) e, com o passar do tempo, conheci duas lojas que vendem itens para marcenaria, em Bragança Paulista (chapas, corrediças, puxadores, ferramentas, revestimentos, acabamentos, parafusos e o que mais você precisar para construir desde o zero ou reformar qualquer móvel).

Uma delas, e que eu recomendo MUITO, é a "Casa do Marceneiro", que fica na Av. dos Imigrantes, 5905 (uma das avenidas principais que cruza Bragança, bem perto do seu final, quase na rodovia que segue para Pedra Bela), fone (11) 4032-7713 (acho que eles ainda não tem site) - link do google maps. Essa é uma loja BEM grande onde você encontra desde grandes placas de mdf, compensado até pacotinhos pequenos de pregos ou puxadores. Já estive nela 3x (por enquanto): a primeira para conhecer (encontrei por acaso, passando em frente de bicicleta), na 2ª vez para comprar uma corrediça de metal de 35 cm para uma gaveta e, na 3ª, para comprar cavilhas de madeira (em todos os casos, mesmo sendo compras bem pequenas fui MUITO bem atendido).

Já, na semana passada, quando precisei comprar algumas cavilhas de madeira eu fui "experimentar" uma outra loja desse tipo de material, que eu não conhecia (e que, no primeiro contato - abaixo conto melhor o ocorrido - percebi que são uns picaretas e tratam muito mal os clientes), a "Barletta & Cia". Não vou nem postar o endereço para não fazer propaganda mas, se você passar em frente a uma loja com esse nome (lembre-se, Barletta, lembra Picareta) não perca seu tempo e nem pare. Além de ser uma loja que diz que vende acessórios para marceneiros (é uma portinha minúscula que não tem quase nada e que na verdade parece mais querer vender moveis planejados), eles te vendem material errado e, 15 minutos depois, quando você volta para trocar, eles tentam te enrolar e dizem que não devolvem seu dinheiro e no final ainda pedem "educadamente" que você "não volte a pisar na loja". Para entender melhor, conto o corrido com mais detalhes no box abaixo, no final da postagem.

Nessa fotografia um armarinho, "encaixado" embaixo da pia do banheiro de casa, feito com material reaproveitado (talvez eu ainda coloque uma porta com vidro em sua frente)

No dia 10/08/17, precisando comprar algumas cavilhas de madeira, resolvi conhecer a loja "Picareta & Cia", de material para marcenaria. A princípio parecia tudo ok, a vendedora me atendeu bem e saí da loja com o que deveria ser um pacote com 50 cavilhas de 8 mm, outro pacote com 100 cavilhas de 6 mm e uma broca chata de 35 mm.

Entretanto, antes de voltar para casa e olhando melhor as cavilhas, percebi que algo estava estranho: elas pareciam mais grossas que as medidas que eu precisava. Com a trena no carro confirmei, eu estava com um pacote de 50 cavilhas de 10 mm e outro com 100 cavilhas de 8 mm, ou seja, tinham me vendido errado e eu precisava voltar para trocar (as de 10 mm eu não precisava e precisava das de 6 mm).

Voltei à loja (devia ter passado uns 15 minutos), encontrei a mesma vendedora e comentei que tinha vindo errado, que aquela "cavilha de 8 mm" tinha mais que isso. Sendo assim ela a pegou os dois pacotes e foi para a parte de trás da loja, sendo prontamente seguida por um moleque (que deve ser filho dos donos).

O tempo passa, o tempo voa e, depois de os ver conversando lá atrás e mexendo nos pacotes ela volta com o meu pacote com as 100 cavilhas de 8 mm (que eu precisava) e um pacotinho com 50 cavilhas de 6 mm, dizendo que trocaria. Entretanto, essa "troca direta" me mostrava que as cavilhas de 6 mm custavam quase o dobro do preço das de 8 mm (o valor que eu tinha pago nas de 10 mm já que o pacote vinha a metade da quantidade e o preço era quase igual) e isso era estranho. Perguntei para ela se era isso mesmo e, se fosse assim, que eu não queria as cavilhas de 6 mm, apenas devolver as de 10 mm que eles tinham me vendido errado.

Nessa hora, o moleque metido a besta da loja, provavelmente percebendo que eu tinha percebido que ele tinha tentado me enrolar fazendo uma troca de um item mais caro por um que devia custar pelo menos a metade, veio lá do fundo da loja com outro pacotinho de 50 cavilhas de 6 mm, com cara de "malandro-taxista-do-rj" e me dizendo "vou te dar de presente esse outro pacote e fica tudo certo". Eu, mesmo com essa cara, não sou otário e nem é uma questão de custo, mas de ética do vendedor e educação ao cliente, só disse que não queria favor, só queria devolver o material que eles tinham me vendido errado.

Aí o carinha estufou o peito, levantou a voz e começou a dizer que se eu quisesse que levasse essas, que eles não devolveriam o dinheiro, se eu quisesse que chamasse um advogado, que fosse no Procon ou o que fosse e ele não estava nem aí e que não ia me devolver nada (sim, literalmente ele falou isso). Nessa hora só disse que eu queria apenas devolver o que eles tinham me vendido errado há uns 15 minutos, ele insistia que não devolveria nada e então peguei o fone, perguntei o endereço da loja e já comecei a discar 190 para ir bater um papo com ele na delegacia e abrir um boletim de ocorrência (eu tinha bastante tempo livre e não me incomodaria em ter que fazer isso).

Só que, nessa hora, talvez a mãe do moleque, para finalizar aquela "mal entendido", pegou o dinheiro na gaveta (como já falei, não é questão de valor, mas de ética do lojista), e me devolveu. Prontamente, com tudo prontamente resolvido (o que podia ter sido resolvido sem perder um cliente e sem gerar essa recomendação), virei as costas e fui saindo, ouvindo ainda o carinha me "pedir educadamente" que "nunca mais pise na loja", o que prontamente o atenderei e faço questão de informar aqui para que outras pessoas também realizem prontamente o seu desejo.

E, só para fechar, saindo de lá fui até a loja "Casa do Marceneiro" (a que recomendei no início dessa postagem) comprar as benditas cavilhas de madeira. Lá, como sempre, fui bem atendido pelo vendedor e, quando estava no caixa, ainda brinquei com eles dizendo que "hoje minha compra é grande, estou levando 100 unidades". Logo após dizer isso, um senhor, provavelmente dono ou gerente da loja, ainda me responde dizendo que minha compra é importante e faz diferença para eles. Ou seja, se você precisa de material de marcenaria vá até um lugar onde sua compra é importante e faz diferença, não a um onde te pedem "educadamente" para não pisar novamente no local.

E, de uma maneira a ajudar pessoas "novas" na cidade que procuram produtos ou serviços (apesar de eu conhecer e ir para Bragança há quase 2 décadas faz menos de 2 anos que comprei minha casa e estou morando metade da semana na cidade), pretendo fazer mais postagens com recomendações de locais principalmente para compras de materiais (construção, ferramentas, jardinagem, elétrica, hidraulica etc. - ou seja, onde tenho comprado material para as reformas e "upgrades" em casa).

Enviado por Tacio Philip às 12:09:14 de 15/08/2017



02/08/2017 12:35:02 (#565) - Travessia Norte-Sul Caparaó - um caminho que quase deu MUITO errado por muitos motivos

Esse é um relato do que se tornou uma travessia que quase deu MUITO errado por vários motivos. Uma das coisas que aconteceu foi, por muito pouco mesmo, termos sairmos de lá sem sermos multados e sem um processo por crime ambiental (por acessar e acampar em áreas intangíveis do parque).
Além disso, alguns trechos foram muito perigosos, o que fez tomarmos a decisão de não sairmos por onde entramos e nos encrencarmos ao "nos entregar", durante a saída.
Em uma pesquisa posterior vimos que provavelmente seríamos enquadrados (mesmo não causando "danos" oficialmente, só por termos acessado essas áreas) na
Lei 9.605 de 12 de fevereiro de 1998 - Lei dos Crimes Ambientais
Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências.

Então, não se meta nessa roubada e leia o relato até o fim para ver que o único risco não foi o icmbio.

Depois de um dia de escaladas em Arcos, a Lorena e eu seguimos estrada rumo nossa próxima meta, o Parque Nacional do Caparaó.

Para não nos matar na estrada, nós fizemos esse percurso em dois dias, parando para dormir perto de BH, chegando "perto" do Caparaó só no Domingo, dia 23, na hora do almoço (para um merecido almoço). De lá, depois de algumas voltas e fotos pela cidade, seguimos nosso caminho e finalmente chegamos onde era planejado:

Dia 1 - Chegada e início da subida
Já no finalzinho da tarde chegamos em São João do Príncipe, ES, onde iniciaríamos nossa caminhada e, com as últimas luzes do dia fomos subindo, ainda de carro, por entre alguns cafezais (a região é famosa por seu café), até chegarmos a um ponto onde não era sensato tentar continuar com um carro "normal" (de 4x4 daria para continuar).

Nesse local organizamos as mochilas, guardamos as tralhas restantes no porta-malas, estacionamos o carro em um local que não atrapalharia a passagem, deixamos um "recado" no painel informando que aquele carro não estava abandonado e, já com as headlamps na cabeça, começamos a subir.

Esse primeiro trecho foi tranquilo (acabamos, depois de uns 20 minutos, descendo novamente até o carro para buscar a carta topográfica e bússola que tínhamos esquecido no porta-luvas - nosso "backup" de navegação caso o GPS desse algum problema) e, uns 50 minutos de caminhada depois, estávamos em um grande platô, perto de um rio, onde aparentemente bastante gente acampa (inclusive com vestígios de fogueiras). Nesse local armamos a barraca, fizemos um lanche e logo fomos dormir.

Dia 2 - Procurando a trilha e seguindo o rio
No dia seguinte acordamos cedo com o despertador do relógio, sem muita pressa tomamos nosso café da manhã, deixamos as coisas secando por algum tempo e, perto das 8h30, começamos a caminhada pela trilha que segue para o rio. Em poucos minutos passávamos pela água, continuamos seguindo por uma boa trilha (em alguns locais estava mais fechada, principalmente por bambuzinhos, mas tranquilamente "atravessáveis" - inclusive foi provavelmente em um desses trechos que perdi meus óculos de Sol - e com isso perdemos mais ou menos 1 hora voltando um trecho o procurando) até sairmos em um outro possível ponto frequentado para acampamento, ao lado de outro riacho. A partir de lá que as coisas começaram a complicar.

Logo que atravessamos o rio entramos na trilha e já percebemos que não era mais aberta como a anterior. Certamente as pessoas devem frequentar o riacho e mais certamente não se enfiam em roubada para subir a serra. Fomos tentando seguir por onde dava, em diversos trechos víamos marcas antigas de bambus cortados e marcações em árvores mas não estávamos conseguindo progredir, nesse ritmo levaríamos 3 meses para chegar a algum lugar. Cansados de procurar o caminho inexistente (não tínhamos nem como abrir porque não levamos facão, na esperança de acharmos a trilha) conversamos e vimos que a melhor (ou menos pior) opção seria subir pelo leito do rio, uma opção paralela a trilha que não encontramos, mas que (acreditávamos) nos levaria ao mesmo local no topo.

Sendo assim, perto das 13h30, já tendo perdido MUITO tempo, começamos a subida pelo riacho que, no começo, foi muito tranquila (nem molhamos os pés). Cerca de 1 hora depois uma bifurcação no rio, seguimos subindo e o rio foi inclinando, inclinando, inclinando até que chegamos à base de uma cachoeira de uns 50 metros. Como havia pouco volume de água sua lateral estava bem seca e, apesar de ter sido basicamente uma escalada de um 3º grau, conseguimos subir até seu topo.

De lá, mais um trecho "tranquilo", por rio, até chegar em mais uma cachoeira, essa sim, impossível de ser subida (rocha molhada e mais inclinada). Após analisar o local seguimos a beirando, pelo meio da mata, até que, já no final da tarde, estávamos perto do seu topo, com o clima fechando, a luz acabando e só pensando que tínhamos que achar um local aberto e plano para podermos acampar (e estávamos em pirambeiras).

Fomos subindo e, felizmente, encontramos um lugar plano e mais aberto, quase no topo da crista (que só soubemos que estávamos perto no dia seguinte) onde pudemos largar as mochilas, descer até o riacho para buscar água, armar acampamento, jantar e dormir.

Dia 3 - Seguir ou voltar? Eis a questão.
No nosso 3º dia acordamos, tomamos café e logo começamos a andar, ainda para cima, até o topo da crista que estava bem perto de nós. Lá de cima, mais um problema: penhascos para todos os lados. Sem a possibilidade de atravessar (desceríamos muito, por mata fechada, para subir muito, por mata também fechada, do outro lado), decidimos descer até o ponto de água para nos reabastecer e pensar no que fazer. Essa hora eu já sabia que tínhamos entrado em uma roubada ao subir aquelas cachoeiras e que, voltar por onde tínhamos subido, não era uma boa ideia.

No riacho olhamos no GPS o track que tinha planejado como "possivelmente possível", olhávamos também as curvas de nível e, ao reabastecer nossos reservatórios, mais uma "feliz" surpresa: o camel back, onde carregaríamos 2 litros de água, estourou no local da tampa. Tão animado quanto um "bicho preguiça em uma manhã de inverno" eu, por muito pouco, não decidi abortar a subida e começar a descer (se não fossem as cachoeiras que tínhamos subido no dia anterior, eu teria descido e ido pra cidade tomar capuccino quente em uma padaria).

Entretanto, como tínhamos comida suficiente para vários dias (6 dias de caminhada + 5 jantas além de algum extra de emergência) e, sabendo que encontraríamos água no possível caminho a seguir, enchemos nossas duas garrafas de água ainda inteiras (apenas 2 litros) e combinamos continuar tentando subir até às 14 horas, caso nesse horário não estivéssemos em um local com pelo menos a esperança de conseguir seguir (leia-se sair de pirambeira e mata fechada, chegando em campo de altitude), viraríamos e voltaríamos pelo mesmo caminho (pelo menos sabíamos onde daria para acampar e que teria bastante água para baixo).

Fomos subindo, desliguei o cérebro e segui "para o alto e avante", atravessando bambuzinhos e entre árvores por onde dava. Felizmente, com o tempo (um longo tempo), a mata foi abrindo e, quando estávamos por volta da cota de 1900 metros, finalmente, chegamos ao tão amado campo de altitude, onde você consegue andar sem a perna enroscar a cada 30 cm.

Com o ânimo voltando a aparecer no corpo e vendo que era possível seguir até onde pretendíamos (nossa ideia inicial, nessa viagem, era subir por essa trilha até uma montanha na crista da Serra, descer pelo mesmo caminho e, depois, entrar pela portaria oficial do parque para outras trilhas e montanhas) fomos subindo. Só que, agora, a possibilidade de descer pelo mesmo caminho, ficava mais distante a cada passo que dávamos.

Quanto mais subíamos melhor ficava o terreno, por precaução marcava no GPS alguns pontos importantes e fomos ganhando altitude, agora já visualizando um primeiro cume a nossa frente, que soubemos depois ser o Morro (ou Pedra) da Tartaruga. Continuamos a caminhada e, perto das 13h30, estávamos em seu cume, a 2497 m de altitude (nota: o carro havia ficado a 1011 m de altitude).

Lá uma breve pausa, alguns vídeos e fotos (que no final foram apagados - leia o relato até o final para saber o porquê) e, ao nosso lado, o que era nossa meta inicial, o Pico do Tesouro, conhecido localmente como Cabritos, para onde seguimos e chegamos menos de 1 hora depois.

Apesar da ideia inicial da viagem ser subir essa montanha, por esse caminho, descer pelo mesmo caminho e depois, entrar pela portaria do parque para outras trilhas, depois do que havíamos passado no 1º dia, no rio, tínhamos decidido que isso não era mais uma opção válida e agora tinha se tornado uma travessia: sairíamos pelo outro lado do parque, ainda sem ter decidido se por Alto Caparaó ou Pedra Menina.

Animados por conseguir andar e ver o horizonte fomos seguindo descendo para o vale e, como eu sabia que havia um ponto de água em determinado local no col entre as montanhas, fomos até ele. Lá enchemos nossas únicas 2 garrafas de água e, bem perto, encontramos um local aberto para acampar (tudo bem que era um charco, mas como estava bem seco, em sua borda havia espaço plano e seco o bastante para armar a barraca). Depois disso foi só preparar o jantar e ter uma noite não muito bem dormida por causa das touceiras embaixo das nossas costas).

Dia 4 - Já que estamos aqui, vamos continuar...
No dia seguinte acordamos após a noite mais fria e úmida da viagem (cheguei a ver o relógio marcando 1,7ºC dentro da barraca e o higrômetro 91% de umidade), tomamos café, desarmamos a barraca e seguimos nosso caminho, primeiro de volta ao riacho para nos reabastecer.

Como o camelback havia quebrado em sua tampa e tínhamos apenas recipientes para carregar 2 litros de água resolvemos fazer uma gambiarra para podermos carregar um pouco mais: colocamos água no camel sem enchê-lo muito e, com um dos cordeletes de amarração da barraca, o amarramos de modo a conseguir carregar perto de 1,5 litros a mais daquele precioso líquido (mesmo sabendo que haveria mais água no caminho não queria arriscar ficar seco).

Com as mochilas de volta às costas fomos seguindo novamente para o alto, passamos pelo Tesourinho (que muitos chamam de Tesouro), descemos, subimos novamente até o Cruz do Negro, onde fizemos uma pausa para "almoço" (leia-se mais bolachas, amendoim, uva-passa e carboidrato em gel) e, vendo em nossa frente o Bandeira, Calçado e Cristal, descemos até a trilha "oficial" que leva do Terreirão (um dos locais de acampamento oficiais do parque) até o Pico da Bandeira.

Na trilha cruzamos por algumas pessoas que desciam, fomos subindo e logo saímos novamente do "caminho", seguindo então até o colo entre o Bandeira e o Pedra Roxa (chamado também de Balaio). No caminho repusemos parte de nossa água para a noite e manhã seguinte, com o final da tarde armamos o acampamento e, sem mochilas nas costas, apenas carregando headlamps, roupa para frio e câmeras, subimos até o cume da Pedra Roxa, para algumas fotos (que também seriam apagadas futuramente...). Com o Sol se pondo descemos, preparamos nosso jantar e finalmente uma boa noite de sono em um local plano e sem touceiras nas costas (e temperatura mínima de 2,7ºC e umidade abaixo de 30%).

Dia 5 - De volta à "legalidade" e a decisão de nos "entregar"
No nosso 5º dia (bem que eu considerava o 4º, o primeiro dia tinha sido só do carro até o primeiro platô) madrugamos para ver o Sol nascer, fiz mais algumas fotos (também algumas que foram apagadas...) e, de volta à barraca tomamos o café da manhã, arrumamos as coisas e seguimos nosso caminho em direção ao cume do Pico da Bandeira.

Perto das 9h30 chegamos ao cume (novamente em local permitido pelo parque), fizemos mais fotos e vídeos (o material feito a partir desse ponto sobreviveu :-D) e, sem muita pressa, começamos a descer passando pelo Calçado (que nem considero uma montanha, para mim ele é só um "ombro" do Bandeira) e pelos (comédia terem inventado isso, eu teria vergonha) "Pico 2" e "Calçado Mirim" (vergonha alheia de quem chamou aqueles morrinhos da crista de cumes...).

Continuando nossa caminhada e, já que estaríamos encrencados por entrar por um local não permitido e íamos sair por uma portaria, que então fosse uma travessia Norte-Sul de verdade, decidimos então sair por Pedra Menina, a portaria mais ao Sul do parque, no ES.

Durante o começo da descida, no col entre o Calçado e Cristal, escondemos nossas mochilas e, leves, fizemos ainda um "bate-volta" até o cume do Pico do Cristal de onde víamos, ao fundo, a crista que tínhamos percorrido e as nuvens que começavam a chegar na serra (o tempo fecharia, em diversos sentidos...).

De lá, agora praticamente "só para baixo", seguimos pela trilha que já sai na descida para Pedra Menina, durante a descida demos uma pequena desviada até a Pedra Duas Irmãs e, perto das 16 horas, chegamos ao que foi "oficialmente" o final da travessia, até onde seria possível chegar de carro, no acampamento Pedra Menina (até lá foram 42,8 km com 4248 m de subida acumulada). Só que, como não havia ninguém para nos resgatar, a caminhada ainda não tinha acabado: ainda faltava, pelo menos, 8 intermináveis quilômetros até a portaria.

Seguimos pela estrada (em um trecho ela chega a subir um pouco, até perto de 2200 m de altitude) mas depois despenca até a portaria da Pedra Menina, a 1375 m de altitude. Durante essa descida, com a incerteza de conseguir chegar à cidade e, muito menos de conseguir transporte para nos levar até o carro no dia seguinte, que decidimos realmente "tocar o foda-se" e pedir ajuda (e "nos entregar") na portaria, e assim o fizemos.

Já no escuro e com as headlamps na cabeça, perto das 18h40 chegamos exaustos à portaria, falamos com o segurança que precisávamos de algum taxi para nos levar para a cidade, assumimos a "cagada" e falamos de onde tínhamos vindo e, depois de dar nomes, números de documento, ele fazer um pequeno relatório e esperar o taxista, finalmente seguimos para uma pousadinha em Pedra Menina para o merecido banho e noite de sono em uma cama.

Dia 6 - Não teria caminhada mas agora sim as coisas complicariam...
Já dia 28 acordamos, tomamos um capuccino quente no quarto, depois um café, pão e pedaço de bolo da pousada, o taxista, com quem havíamos marcado no dia anterior chegou, colocamos as coisas no porta-malas e seguimos então nosso caminho de volta até onde havíamos deixado o carro. A volta foi tranquila, saímos de Pedra Menina, passamos por Caparaó, Alto Caparaó e então chegamos em Pedra Menina, de onde já fomos subindo até onde o carro nos esperava.

Nos últimos metros de subida, onde havia algumas pedras, descemos para que o taxi subisse mais embalado e, a pé, subimos esses metros finais, quando vi que havia uma caminhonete parada ao lado do meu carro. Chegando mais perto vi que era uma caminhonete do icmbio. Essa hora só pensei e comentei com a Lorena: fodeu!

Chegando ao carro dois fiscais do icmbio nos aguardavam (já nos chamando pelos nomes), um deles, com quem teríamos mais contato durante aquele longo dia, disse para a Lorena levar meu carro enquanto eu iria na caminhonete com eles e então seguimos de volta para Alto Caparaó, onde fica sua sede, dentro do parque.

No caminho uma pausa na cidade para comprar uma marmita (eles iam fazer isso e nos recomendaram fazer o mesmo já que o "trâmite" demoraria um pouco e já estava perto da hora do almoço), chegando no escritório do icmbio (entrando no parque por Alto Caparaó) almoçamos, aguardamos uns minutos e logo o fiscal nos chamou em sua sala.

Resumindo BEM o que se seguiu nas próximas horas foi eu me apresentar (sim, eu sabia que estava errado mas eu tenho bastante experiência em montanhismo, subo montanhas há muitos anos, não abri trilha - nem facão carregava, não fiz fogueira - carrego meu fogareiro, carreguei todo lixo gerado - e de outros que encontrei - para baixo) e, como sabia que "tinha feito merda" e que, já que estava encrencado, não adiantaria em nada inventar história, realmente assumi e falei que a ideia era só subir a primeira montanha pelo caminho que fizemos mas havíamos desistido de descer por lá por causa do risco (falei que preferia estar enrolado naquela situação do que morto na base de uma cachoeira).

O fiscal, de seu lado, apesar de entender meu lado (ele também gosta muito de montanhas) estava seguindo sua função e o que seu chefe havia dito: abrir um processo por crime ambiental e me multar por isso (ele foi muito simpático e atencioso, mas seu trabalho era pegar "criminosos" como eu e estava apenas fazendo sua parte).

O tempo foi passando, ele pediu também os cartões de memória das minhas câmeras para apagar (e copiar para seu HD para posterior relatório) as fotos e vídeos feitas de locais "onde eu não devia estar" (mais uma coisa que mostra que ele não queria apenas "nos ferrar", só estava fazendo sua função: ele apagou só o que nos incriminava, as fotos e vídeos de locais permitidos no parque continuaram comigo) e continuamos conversando. Eu, obviamente do meu lado, justificando meu "crime" e porque o havia cometido. O tempo foi passando, ele dizendo que eram ordens de seu superior mas, depois de uma ligação, ele voltou e disse que "nós tínhamos muita sorte", que ao final, por sermos experientes, um casal e não uma "galera", por sermos colaborativos, por não mentir, o processo não seria aberto (mas que as fotos continuariam sendo apagadas, que eu também tinha que sofrer pelo que fiz - ele percebeu quanto eu gosto das minhas fotos).

Assim, já na metade da tarde, fomos liberados e eu prometendo não incentivar que outras pessoas fizessem essa trilha (o que eu já não incentivaria, foi realmente uma roubada e eu não faria esse caminho novamente). A noticia boa é que, o parque, pretende abrir oficialmente a travessia que faz esse percurso (aí sim a trilha será aberta e ninguém terá que escalar cachoeiras), ai sim eu pretendo voltar (até falei para ele que, se precisar de ajuda na abertura, pode me chamar) ;-)

Então, fechando esse loooongo relato de uma trilha, que virou travessia, e que quase deu muito errado por diversos motivos, assumo que não me arrependo pela caminhada que fiz, que não a repetiria e que ainda foi o mais sensato nos "entregar" que tentar um retorno por onde havíamos subido. O PN Caparaó está bem longe para mim (800 km), o que faz com que eu não vá até lá tanto quanto gostaria mas, assim que essa trilha for oficialmente aberta (previsão de uns 2 anos), eu voltarei para repetir as fotos e vídeos que havia feito :-P

Algumas fotos (as que sobreviveram) da travessia estão no link Travessia Norte-Sul Caparaó.

Enviado por Tacio Philip às 12:35:02 de 02/08/2017



01/08/2017 13:01:50 (#564) - Escalada em Arcos - Rastro de São Pedro - MG

Aproveitando a semana de férias que a Lorena pegou no trabalho (e também sua última semana de férias na faculdade), no dia 21 à noite pegamos estrada rumo à Arcos, MG.

A viagem foi tranquila, bivacamos ao lado do carro em uma estradinha de terra poucas horas antes de chegar em Arcos e, no dia seguinte, Sábado de manhã, com o local ainda completamente vazio, estacionávamos o carro na base de uma de suas paredes.

A rocha é muito parecida com a "Serra do Cipó" mas com a vantagem de possuir mais vias de graduação mais baixa, o que é bom para quem não gosta de ficar "brigando" com vias de alto grau (e muito menos ficar malhando uma via - eu gosto de entrar em uma via, escalar, descer e partir para a próxima).

No local, para começar a nos "aclimatar" (para quem está acostumado com o granito paulista e seus regletes no positivo é estranho entrar em vias de calcário positivas - ou até negativas - com agarras) começamos a escalar os 4º graus no setor de chegada, onde ficam os carros.

Feitas essas vias seguimos então para outros setores, procurando mais vias tranquilas e escalando diversos 4º, 5º e alguns 6º/6ºsup antes de começar a sentir o cansaço pegar (a noite de sono passada tinha sido curta). Com a metade da tarde chegando (e cansados de escalar) demos uma boa andada pela base dos diversos setores, identificamos várias vias de diversos graus, fiz algumas fotos e logo retornamos para o carro para organizar as "tranqueiras" e seguir estrada.

Saindo do local passamos pela cidade para o "obrigatório" açaí, um cafezinho extra para espantar um pouco o sono e, novamente, de volta à estrada, agora sentido NE já que nossa próxima meta era o Caparaó.

A viagem foi longa, passamos por Belo Horizonte (onde jantamos e colocamos combustível, já na saída da cidade) e, logo no começo da serra, sentido Norte, paramos em uma pousada para a merecida noite de sono em uma cama. No dia seguinte, pela manhã, um excelente café da manhã (recomendo o local onde ficamos, Hotel Free Time, um hotel fazenda caro mas com uma opção BEM acessível para pernoite), acabamos de arrumar as coisas, antes de sairmos, perto das 10h, passamos mais uma vez pelo refeitório para um café e bolo extra e, de lá, mais estrada para nosso próximo objetivo.

Algumas fotos estão disponíveis no link Escalada em Arcos.

Enviado por Tacio Philip às 13:01:50 de 01/08/2017



17/07/2017 17:08:01 (#563) - Reabertura de trilha na Serra do Lopo - acesso via crista Sul

Continuando a eterna procura por novas trilhas de montanha, há algum tempo eu encontrei, no wikiloc, uma opção diferente para acesso à Serra do Lopo, na divisa MG/SP.

Com o track enviado para o GPS (Veja aqui como baixar tracks/waypoints do Wikiloc pelo Google Earth e transferir para o GPS para poder navegar no mundo real), na sexta-feira, dia 14 de Julho, às 7h da manhã busquei o Juvenil em sua casa e seguimos então para onde começa uma das trilhas para a Serra do Lopo via Joanópolis (ou lá é Vargem? Não tenho certeza). Às 7h30 começamos a caminhada (pelo caminho que já conhecíamos) e, pouco tempo depois, em uma das bifurcações, em vez de seguir para esquerda seguimos o "novo" caminho, até então bem aberto, direto para cima.

A trilha começa muito bem aberta, logo no começo passamos por diversos pés de limão bugre (aproveitei para colher alguns para uma limonada), um pouco mais acima uma porteira de arame farpado, um riacho (único dessa trilha) e fomos subindo, subindo, subindo, a trilha foi ficando mais inclinada mas sempre bem aberta e só teve um ponto onde saímos dela, quando ela faz uma curva abrupta para esquerda (para subir, claro) e tínhamos seguido, não por mais que uns 20 metros, em frente e começado a descer, nada difícil de perceber.

Com mais subida passamos por algumas lajes de pedra, aproveitamos para lanche e fotos e, onde parecia ser o final de uma das subidas, seguimos uma bifurcação que ia para a direita, nos levando até onde havia uma cabana de caçador e algumas iscas (provavelmente para porco-do-mato). Lá mais algumas fotos e logo percebemos que esse era o ponto final da trilha "aberta". O track que estava no GPS nos indicava "seguir para cima" mas não havia mais trilha por lá.

Com a ideia de terminar a trilha fomos seguindo por onde dava para passar melhor, varamos um pouco de mato, subíamos algumas lajes e então tivemos nossa primeira visão do cume, ainda longe, mas o que nos animou. De volta à mata fechada mais vara-mato, mais contorna-pedra, mais sobe-pedra, desce-pedra e fomos seguindo, sempre de olho também no relógio já que, o Juvenil, precisava retornar pouco depois da hora do almoço porque ainda trabalharia naquela tarde.

Aos poucos fomos ganhando altura (nesse trecho bem menos inclinado que o começo), passamos por outra pedra com uma linda vista para o cume ao fundo e então começamos a descer para o colo, onde encontramos algumas fitinhas em árvores e uma trilha um pouco menos fechada (não dá pra falar que era mais aberta).

Fomos seguindo, logo chegamos à base da rocha e, de lá, ai sim uma trilha mais aberta e lajes de pedra que nos levaram até o cume, onde finalmente pudemos ter a sensação de "dever cumprido" e já comentávamos sobre a necessidade de retornar para abrir melhor essa trilha. A descida foi pela trilha que tínhamos feito no mês passado, chegamos no carro e, antes de voltar para Bragança, um merecido almoço no bairro do Guaraiúva (PF a R$9,90 e 500 ml de suco de laranja espremido na hora por R$3,00).

De volta em casa mas com o pensamento de melhorar a trilha pensei: por que não retornar lá amanhã, com a Lorena, para subir novamente? E assim foi, no Sábado cedo levantamos, tomamos nosso café da manhã reforçado, pegamos mais água e comida que eu havia pego no dia anterior (subir "dando um trato" na trilha demoraria mais que no dia anterior) e então seguimos estrada para onde fica o carro (a 24,7 l, de casa) :-)

Às 7h40 começamos a trilha, como no dia anterior mais uma pausa pra colher alguns limões, mais pausas para fotos, descanso e lanches nas lajes de pedra e, cerca de 2 horas depois, estávamos lá onde tem o acampamento do caçador.

Sabendo que, de lá em diante, não existia mais uma "boa" trilha, pegamos o facão e fomos subindo podando o mato (e principalmente os malditos bambus) onde era necessário. Fomos seguindo o caminho exato do dia anterior (melhor meio aberto que nada aberto), quando necessário recorríamos ao GPS (havia mapeado o caminho percorrido no dia anterior) e assim fomos ganhando altura.

O tempo foi passando, passamos ainda por algumas outras rochas, no cume da crista Sul, que não tinha subido no dia anterior e após algumas muitas horas de caminhada, finalmente chegamos ao cume da Serra do Lopo para um merecido descanso e lanche (nem deu para subirmos na pedra do cume para assinar o livro já que havia fila).

Com o começo da tarde e a fome pedindo algo mais que "goiabinhas de chocolate" ou bolachas, logo começamos a descida, pedimos licença para passar um grupo com (literalmente) dezenas de pessoas tentando descer (com o guia rapelando encordado com uma pessoa em um trecho onde é só descer segurando em uma corda com nós) e finalmente estávamos sós na trilha. Passamos ainda por algumas poucas pessoas mas logo saímos na bifurcação que leva, pela crista, para a Pedra das Flores (caminho normal de acesso) ou, para baixo, para onde tínhamos deixado o carro (e, este mês, colocaram uma placa indicativa nessa bifurcação).

De lá mais algum tempinho de caminhada, só uma breve pausa para descanso em uma árvore tombada e logo estávamos no carro, a caminho de casa, para o merecido almoço/janta no final de tarde.

Em casa arrumamos as coisas e, com a chegada da noite, estrada para São Paulo. No dia seguinte, Domingo, de manhã uma ida a um bazar da OBB (cada vez tudo mais caro - e olha que sempre falei que esses bazares eram o único modo de comprar roupas pelo preço que elas valem. Agora, em algumas peças, nem isso!), à tarde filmes e à noite estrada pra Capivari. Hoje cedo de volta à rotina de pedal, em Itu, com o Alessandro e, agora o resto da semana com sua rotina "normal" de (pouco) trabalho, algum treino e bastante planejamento da próxima viagem (em breve!).

Essa "nova" trilha da Serra do Lopo é uma ótima opção para chegar ao cume pela sua crista Sul (mas bem mais difícil que o acesso "normal", são quase 900 metros de desnível acumulado) mas recomendo muito. Em breve retornaremos para dar mais uma melhorada em alguns trechos que merecem mais atenção e espero que passe a ser um caminho mais frequentado por quem gosta de uma boa subida em sua frente.

Algumas fotos dos dois dias no link Reabertura de trilha na Serra do Lopo.

Enviado por Tacio Philip às 17:08:01 de 17/07/2017



11/07/2017 13:59:32 (#562) - Escaladas na Pedra Amarela de Munhoz

Há poucas semanas, durante uma caça a locais diferentes (mas tranquilos) para escalar, fiquei sabendo da Pedra Amarela, em Munhoz/MG.

Com o croqui e roteiro sobre como chegar em mãos, depois de deixar passar uma semana de quando íamos até lá, na semana passada, dia 8 de Julho, depois de um pedal em Bragança no dia anterior com o Dom, logo de manhã, às 9 horas, ele passou em casa e seguimos ele, a Lorena e eu, para finalmente conhecer o local.

Para ida optamos a opção que segue pela Fernão Dias, passamos a cidade de Extrema e logo entrmos rumo Toledo e, em seguida, Munhoz, onde fica a pedra. Encontrar o local foi fácil e pouco antes do horário do almoço estávamos em sua base começando a escalar algumas de suas vias (o interessante é ter algumas vias em móvel de graduação baixa).

Na rocha fomos escalando suas vias "da esquerda para direita", sempre nós 3, até que, com o começo da tarde e o clima começando a fechar (e o Dom tendo que voltar ainda no mesmo dia para São Paulo), fechamos o dia e retornamos para Bragança, agora seguindo por Pedra Bela (ao final ainda não sei qual o melhor caminho...).

O tipo de rocha é como o de Pedra Bela (com cristais menores) e é uma boa opção para iniciantes, por ter vias bem tranquilas. Logo devo voltar para terminar de conhecer as outras vias do local e uma outra parede, que o Alex (que encontrei no local) me indicou, também em Munhoz.

Algumas fotos do local estão no link Escalada Pedra Amarela.

Enviado por Tacio Philip às 13:59:32 de 11/07/2017



06/07/2017 13:37:37 (#561) - Bivac molhado no cume do Alto do Capim Amarelo

Depois do Guilherme e eu termos cancelado essa viagem para o Alto do Capim Amarelo (primeira montanha para quem faz a travessia da Serra Fina sentido Passa-Quatro - Itamonte), que estava programada para os dias 13 e 14 de Junho, por causa de chuvas, agora foi a vez de reunir mais vítimas e seguirmos, com previsão de talvez uns 2 mm de chuva, também com a Lorena, Peter e Marilde para o que viria a ser uma bela roubada.

No Sábado, dia 1º de Julho, às 7h30 da manhã, o Guilherme passou em casa e seguimos então ele, a Lorena e eu, rumo Passa-Quatro, onde encontraríamos o Peter e sua esposa Marilde, que saíam mais ou menos no mesmo horário, de Bom Jesus dos Perdões.

Chegamos em Passa-Quatro por volta das 11 horas, nos encontramos e logo fomos almoçar no "restaurante da dona filhinha", um lugar perto da praça central e que recomendo muito para quem valoriza um ótimo PF, por um preço mais que justo, no almoço. Junto com um guaraná Guaranita (de Passa-Quatro - uma bomba de açúcar como outros refrigerantes) nos alimentamos e seguimos então nosso caminho até perto do "resort Serra Fina" (comédia chamar um lugar gourmet de refúgio), estacionando o carro logo depois de passar a ponte e porteira, minimizando o risco dos "barões do resort" danificarem o carro por estar perto de sua "fortaleza" (sim, já soube de casos de pneus esvaziados por terem parado perto das "muralhas do castelo" - mas felizmente sempre parei onde paramos e lá nunca tive - ou soube - de problemas).

No local trocamos de roupa, acabamos de arrumar as mochilas e, com elas nas costas, por volta das 13h20 começamos nossa caminhada, ainda pela antiga estradinha de terra (que antes era aberta e ainda subiam carros) até a famosa "Toca do Lobo", local onde tem uma toca (infelizmente meio depredada) e onde se atravessa o riacho antes de começar a subir de verdade.

No riacho pegamos água (até hoje não arrisquei deixar para pegar na cachoeirinha mais para cima, não sei se ela seca em alguma época do ano - se você souber, poste nos comentários aqui embaixo para eu saber) e logo seguimos "piramba" acima, ainda com um tempo bonito e céu razoavelmente aberto.

Fomos progredindo bem, a ideia era irmos fotografando o caminho (eu mesmo queria pegar a crista final do Capim Amarelo com a luz de final da tarde) mas o clima começou a fechar. Logo no começo da subida, assim que chega na crista, e ao passar por alguns locais de acampamento, que agora tem plaquinhas indicativas (trabalho bem legal), cheguei a fazer, literalmente, meia-dúzia de fotos, mas então o céu ficou totalmente branco e, quanto mais subíamos, mais entrávamos na nuvem.

Fazendo poucas pausas para lanche/água mas também sem forçar o ritmo fomos subindo, subindo, subindo até que, com o chegar da noite, já no limite de precisar colocar as headlamps na cabeça, chegamos ao cume do Alto do Capim Amarelo. No cume encontramos um pessoal (7 barracas no cume em um sábado "normal"!) e, depois de dar uma procurada e indicação do Tiago (do RS, da "transmantiqueira") fomos até duas pequenas clareiras, razoavelmente planas e protegidas do vendo, onde dormiríamos (ou tentaríamos).

Já era por volta das 20h e até agora o clima estava ruim mas ainda apenas nublado. Fizemos nosso jantar, abrimos os isolantes, "meio" entramos nos sacos de dormir (não levamos barracas e seria o primeiro bivac da Lorena, do Guilherme e da Marilde) e aí começou a pingar água de verdade. Vestimos os sacos de bivac, colocamos uma lona protegendo as mochilas/botas e outra sobre nós, onde ficamos longas e longas horas ouvindo o barulho da chuva em nossas cabeças e cochilando/acordando de hora em hora (acho que só conseguir dormir algumas horas direto quando já era por volta das 3h da madrugada - isso até as 7h da manhã).

Uma noite longa (daquelas que você acorda para olhar a temperatura no relógio e vê que, além da chuva está 3,8ºC e ainda são 22h da noite) passou, de manhã fizemos uma sopa para aquecer, arrumamos as coisas e, com uma trilha absurdamente lameada começamos a descida (muito legais as cordas e degraus suspensos que foram colocados na trilha, sem eles o perrengue seria muito maior).

Fomos descendo, descendo, descendo e, mesmo com a gravidade nos ajudando, a descida, até chegarmos de volta ao carro, também demorou cerca de 4h30. No carro, agora a preocupação era outra: será que o carro subiria a primeira rampa (a pior), logo que passa o riacho e porteira? Trocamos de roupas (finalmente algo seco) e, como o Peter estava com uma Strada, colocamos todas mochilas na sua caçamba e, eu dirigindo o carro do Gui (um C3), fui encarar aquela subida lameada (o Peter havia ido na frente e nos esperava após a subida).

Apesar de ter que passar embalado e fazendo zig-zag no trecho final, o carro subiu (por muito pouco não parou, mas subiu!). De lá, só seguir a parte "boa" da estrada até chegarmos no asfalto (onde pegamos as mochilas de volta para o porta-malas) e estrada até o restaurante mais próximo, para o merecido e esperado almoço.

De lá nos despedimos, continuei mais algumas horas no volante até que chegamos em São Paulo, no comecinho da noite. A Lorena e eu ficamos em casa, o Gui seguiu caminho para sua casa e, depois de pendurar quase tudo em varais para secar, a Lorena e eu pegamos estrada novamente (agora para Capivari) para finalmente podermos ter um banho quente e uma noite de sono em um colchão (e na saída de SP ainda tive que passar na portaria do apto do Gui porque tínhamos esquecido coisas - e molhadas - no porta-malas).

Em Capivari mais trabalho para colocar coisas no varal, o merecido banho, mais comida e finalmente cama! No dia seguinte, mesmo cansado do final de semana não fugi da "rotina" de pedal com o Alessandro em Itu e logo estava de volta à São Paulo, para uma semana "normal" de trabalho e treinos na 90 graus.

Apesar de, nesta viagem, não termos conseguido fazer o que era nossa ideia inicial (esticar até o Tijuco Preto), valeu a pena. Um final de semana na montanha é sempre melhor que um final de semana em casa (mesmo bivacando molhados na chuva) e as montanhas continuam lá, então voltaremos ;-)

Enviado por Tacio Philip às 13:37:37 de 06/07/2017



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